Meus Artigos













JULHO - 2018

O PROCESSO CRIATIVO EM GRUPO COMEÇA E TERMINA COM UM PROPÓSITO...

Afinal de contas por que estamos juntos?
Marcos Cavalcante

O propósito em grupo é muito maior que a realização de funções e tarefas. Pessoas em grupo que confiam em funções e tarefas logo interrompem o diálogo com a realidade, já aquelas que trabalham por um propósito comum florescem e dão frutos. 

Entendo que Ser-Vir a um propósito em grupo é a soma do desejo pessoal, com a intenção coletiva de gerar resultados e a vontade de manifestar ideias inovadoras, juntos.

Observando os níveis de tensão emocional na interação da maioria dos grupos em nossos dias de incertezas, vi que muitos desconsideram que há desalinhamento entre o propósito pessoal e o propósito grupal. Confiar no propósito do grupo é não se apegar ao seu próprio parecer.

O propósito em grupo transforma a forma como cada pessoa vive e trabalha de modo útil. Parafraseando o que disse Viktor Frankl sobre motivação, amplio dizendo que quem tem um “para quê”, juntos, enfrenta qualquer “como” de mãos dadas. Faz-se necessário, para tanto, delimitar em grupo o foco nos resultados que pretendem alcançar, e nos valores que irão alinhar para celebrar esse propósito declarando um objetivo comum.

Muitas pessoas em grupo buscam mais saber qual é a melhor função a ocupar, ou como melhor executar uma dada tarefa, do que se responsabilizar sobre o como irão fazer para gerar resultados. Esse “como” está diretamente ligado ao “para quê” fazer, ou seja, ao propósito. Não saber o para que faz aquilo que faz, consiste na desintegração de olhares e de saberes em grupo, tornando-se a base de seus conflitos. Função bem executada e tarefas bem feitas são importantes quando geram resultados dirigidos pelo propósito grupal. Esse propósito em grupo é que exige mudança de prioridades orientando o como fazer. 

Entre o estímulo e a resposta, o exercício do propósito em grupo permitirá cada um de seus membros usarem a cabeça para produzir ideias inovadoras que gerem boas escolhas coletivas visando os resultados pretendidos. Compreendo que o propósito grupal dará tudo que for necessário, se o grupo apenas fizer a escolha de viver por ele. 

A arte de gerar resultados em grupo não é apenas sobre fazer as coisas acontecerem, mas estar apropriadamente envolvidos por princípios que sustentam um propósito que permite ir além da função e da tarefa.





JUNHO - 2018

Ser–Vir é uma vivência de Renascimento

Marcos Cavalcante

Através da linha de “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo”, considero que a criatividade encontra-se na esfera de vida de cada pessoa como impulso natural de inovação diante da realidade.

Nesse sentido, tudo que criamos em grupo, é sempre um expressivo resultado do renascimento de cada pessoa que não se rende aos limites apresentados pela realidade, mas renasce dos próprios gestos em sua potencialidade infinita, convertendo uma experiência de dualidade egocêntrica em unidade afetiva.

Há muito sabemos que “a união faz a força”, que juntos, fio a fio, podemos tecer o trabalho como experiência de inovação por extensão da vida compartilhada em unidade.  

Considero a unidade afetiva em grupo uma vivência de convergência de propósitos, favorável ao renascimento e comunhão enraizados na emoção primeira individual que liga o desejo pessoal ao desejo coletivo.

Compreendo que essa emoção primeira, é responsável por acordar os potenciais inatos de cada pessoa, e motivar a redescoberta das capacidades individuais para serem partilhadas como ferramentas de inovação na construção do propósito coletivo assumido enquanto comum união.

Em nossos dias a ausência de uma comum união em grupo, é facilmente identificada pelos sintomas de estresse que desconsidera a criatividade existencial como esfera de vida de cada pessoa enraizada na emoção. Essa emoção indica a própria alegria de viver na interação em grupo como possibilidade do progredir infinito de cada pessoa na vida em sua vivência de ser útil e livre.

Vejo que o estresse patológico em grupo nesse tempo complexo pode ser considerado efeito da tensão entre relações de dominação e negação, provocadas pela pressão dos líderes sobre seu grupo na busca por resultados e metas traçadas de cima para baixo, ou seja, ferindo o fundamento da comum união que se apoia na emoção que fomenta o desejo individual de Ser-Vir como força de vontade e motivação criativa de corresponsabilidade criativa.

Inovação em grupo não vem por decreto, mas como resultado da intuição individual que compreende que o universo é criativo, e que é criativo por meio de nós. Isso torna a expressão da nossa identidade individual compartilhada na interação grupal o aspecto central da criatividade.

Considero que Ser-Vir é uma vivência de renascimento por que nos induz encontrar a motivação no profundo da emoção que se converte no desejo de usar as próprias habilidades para inovar a realidade juntos.
A emoção começa agora, na experiência de ser e pertencer. Ela sela o vínculo afetivo que nos permite enxergar um oceano infinito de coisas boas disponíveis integrando mente e coração, determinando quanto desse suprimento de coisas boas somos capazes de receber.

O desejo de Ser-Vir é o desejo de manifestar a própria vida, criando toda paz e bem, para revelação da vida do outro. Agindo assim, de modo útil e livre, encontrar soluções para os desafios no atendimento às necessidades que a realidade nos apresenta, torna-se algo espontâneo e instigante. Isso inclui qualquer área.

Ser-Vir conduz ao renascimento porque nessa vivência de pura emoção de convidar o outro a ser mais, transformando-se em tudo que é, redescobrimos os próprios gestos naturais, e por efeito, limpamos em nós todas as memórias de pequenez, escassez e falta de poder inovador. Ser-Vir nos possibilita ousar o pensar grande, sonhar e inovar provocando uma forma grandiosa de expressão do outro, favorecendo sua jornada criativa.

É chegada a hora de compreendermos que Ser-Vir é a única via de renascimento e promoção do progredir infinito da vida sem aparentes limitações a expressão da nossa identidade individual em interações grupais.

Ser-Vir é renascimento porque faz surgir no plano físico uma vida renovada tanto para quem dá como para quem recebe. Limpando, transmutando e purificando essas aparências falsas de limitações e escacez da realidade material, possibilitando o progredir infinito de cada pessoa e do grupo.




MAIO - 2018

TRABALHO E NATUREZA CRIATIVA

Marcos Cavalcante

A força do trabalho é a manifestação da nossa natureza criativa em ações cooperativas e inclusivas visando alguma forma de progresso no mundo. Nenhuma máquina, nenhum computador pode estender os braços, tocar, inalar o aroma, enxergar a luz, ouvir os sons e sentir o sabor das massas e das maçãs, fazer uso consciente da linguagem de modo interdependente propondo caminhos para a vida em comunhão. É preciso amor para fazer pulsar a vivência criativa e construirmos o mundo a partir de laços afetivos.

O ato criativo é a própria vida que se dá mutuamente, renovando-se no encontro pleno de sentido com o outro. Juntos, através da clareza sobre para que estamos juntos, é possível compartilharmos nossas experiências e potencialidades inatas - combinadas com outros - e fazermos algo novo acontecer na busca de progressos.

Em grupo, na busca de saber como algo pode ser mais do que é, somos desafiados mutuamente à redescoberta do potencial infinito que habita em nós em forma de dons e talentos. Na vivência de expressão dos nossos potenciais os convertemos em habilidades para inovar, tornando pessoas, situações e a nós mesmos preciosidades criativas.

Certa vez li uma frase de Santa Terezinha que dizia: “Só o desejo de praticar o bem já produz paz”. Trago essa frase para as interações grupais, nela consiste o fundamento da criatividade existencial, vista como um ato espiritual de Ser-Vir. Esse Ser que se dar é o fluir natural da paz, manifestando-se da condição natural humana para a existência, possibilitando o progredir infinito da vida.

Hoje enxergo a urgente necessidade do despertar de todas as pessoas para o potencial criativo inerente, como caminho de expressão da identidade, e celebrá-la no encontro com o outro em busca de soluções inovadoras.

Saber-se juntos é estar consciente do propósito mutuo de modo responsável e comprometido com os efeitos da ação conjunta. A autoconsciência sobre ações cooperativas e inclusivas como realização de propósitos declarados torna cada pessoa em grupo livre da busca de vantagens e do espírito de conquistas dominadoras, mas fascinadas pelo mistério que poderá lhe favorecer uma nova forma de ser e estar no mundo.

O meu convite para expressão da identidade na interação grupal pela via do Ser-Vir, apoia-se no propósito que cada pessoa compreenda o trabalho como a manifestação natural da sua criatividade existencial. E que o desenvolvimento espiritual visto como ato criativo, requer alinhamento consciente com princípios e regras naturais que favoreçam a intersubjetividade em grupo possibilitando que coloquem questões fundamentais no desejo de captar a profundidade do mundo, de si mesmo naquilo que realizam juntos, renovando cada experiência como expressão da identidade de cada ser humano. 




ABRIL – 2018

Enlace de Boas ideias...

Marcos Cavalcante

Tudo que desenvolvemos juntos em grupo parte de uma ideia. Elas chegam como reflexos no espelho da consciência, acordadas no altar dos corações apaixonados por uma causa comum.

A ideia é uma resposta interior vinda do templo da paixão para satisfazer nossa busca de ser alguém total, inteiro, vinculado e feliz Ser-Vindo. Nesse templo não há o que controlar, mas seguir o fluxo criativo e vivificar...

Ao fazermos uso consciente de nossas habilidades naquilo que realizamos juntos, tornamo-nos o que fazemos. Mas quando através de nossas habilidades mudamos o que fazemos para inovar e gerar progressos no mundo, manifestamos uma nova experiência, transformamo-nos. Esse é o encanto da dança das transformações na vida em grupo... Favorecemos a livre expressão do outro para possibilitar a nossa livre expressão renovada.

O desejo ardente de vivificar, de fazer algo se mover para ser mais do que é, transformando-se em tudo que é, faz emergir da profundeza da alma uma ideia original e eficaz. Qualquer coisa essencial vem desse estado de consciência mais profundo.

Hoje a ciência nos lembra do que os místicos há centenas e milhares de anos diziam em diferentes tradições religiosas, que a nossa alma habita um território Unificado, e que essa Unidade desnuda-se na diversidade para quem se dar, ou seja, para quem se esvazia e contempla para Ser-Vir.

O nascimento de uma boa ideia é uma vivência de ressurreição. Somos chamados a ultrapassar os limites do nível de consciência que nos encontramos, retornando ao centro do Ser, para emergir dessa Fonte do Amor e tornar a vida um acontecimento renovado.

É preciso fazer perguntas no desejo de revelar o mistério, transcender para ver nascer do Eu profundo mais inteligência, criatividade, felicidade e amor, possibilitando alcançar ideias inovadoras que façam mover e gerar progressos.

Aquela ideia que reproduzimos mecanicamente empobrece o nosso potencial criativo, já que essa ideia não encanta, não envolve e não permite renovação. Ideias mecânicas não manifestam a Unidade, o frescor da alma apaixonada pelos desafios de superação de algo inesperado que possibilite mais expressividade entre quem dá e quem recebe. 

Quanto mais dirijo minha atenção consciente para um propósito comum, destituído de preconceitos, mais fundo é o meu mergulho na Fonte Viva da minha alma. Dessa Fonte sou conduzido num enlace com suavidade, leveza e inovações, celebrando a livre expressão da identidade de cada membro do grupo comprometido em promover o progresso que assumimos juntos.   


  




Março - 2018

Vivência Anuncia o Sentido da Vida

Marcos Cavalcante

A vida é um mistério que se revela da vivência para o significado...

A música de Gonzaguinha “O que é o que é”, pergunta-nos pelo sentido da vida. Essa letra revela que a vida é vivência, a manifestação espontânea do nosso estado potencial para a existência no aqui-agora. Emoção tão lindamente conhecida por nós em nossa infância livre e de sorriso puro, estampado no  convite para o outro, no desejo ardente de brincar com prazer e com alegria. Não seria esse o prenúncio de que a verdadeira felicidade se dá no processo e vivência de criação, colocando nossas habilidades inatas para inovar juntos?

A vida é um convite à vivência... Uma experiência que se converte em aprendizagem autodescoberta ao longo de toda a vida... A vivência nos chama a imprimir sua beleza em gestos espontâneos, a entoar um canto de liberdade sem medo de ser feliz, expressando nossa capacidade infinita criar e favorecer a renovação orgânica em harmonia com a própria natureza da vida que se mostra a si mesma.

O grande convite à vivência é Ser e pertencer em ciclos sem fim com desejo e alegria de viver a redescoberta dos próprios potenciais com união e comunhão... Isso é Ser-Vir!

Através do limite do nível de consciência em que nos encontramos, secos de amor, distantes do outro, sentimos sede de beber da “Fonte Viva” e nos saciarmos em sua superabundância.

Alimentados por essa Fonte que é a própria vida, reconhecendo suas infinitas possibilidades nos chamando à expressão. O inconsciente vital está em nossas células, órgãos, tecidos e sistema. A homeostase por ele orquestrada, nos indica  a certeza que seremos mais e melhores cada vez que agirmos em obediência à Fonte Viva de infinita beleza e amorosidade, de potenciais ativos, revestidos de dons e talentos para serem oferecidos e gerar mais vida.

Bebendo na Fonte de Agua Viva, no centro do ser, podemos ser mais do que somos e ali reconhecermos tudo que somos. É a vida, é bonita e é bonita...

Na passagem dos níveis de consciência que atingem o seu limite máximo de exaustão, acessamos estados ampliados de consciência em que o amor nos encontra e nos transforma.

O estado de consciência amoroso nos tira do sofrimento para o estado maravilhoso de comunhão e gratidão. Aprendemos que a alegria deve substituir o lamento, mesmo que choque os que estão identificados pelo nível de percepção em que se acham um nada no mundo.

No lapso do tempo, entre o inspirar e o expirar, revela-se o divino mistério profundo, o Sopro do Criador, numa atitude repleta de amor. Nesse Sopro da vivência, a luta é substituída pelo prazer, o verbo sofrer e morrer são vencidos pelo verbo VIVER.

Eu lhe convido a por seu foco na força da Fé, porque através de nossas escolhas somos nós que fazemos a vida como der, ou puder, ou quiser... A vida é sempre um desejo de vivência, de sua expressão singular e vinculada. Mesmo quem se encontra com insatisfação sobre os fatos que lhes influenciam no momento, saúde e sorte, é o que verdadeiramente desejam.

A vivência de expressão da identidade pela via do Ser-Vir é a possibilidade real que destampa a mente represada e deixa a vida fluir unindo coração com coração para que nessa união gere-se mais vida...

Juntos, unidos por um propósito claro de vivificar, repitamos: É a vida, é bonita e é bonita... Viver é vivência de puro oferecimento, é a redescoberta de gestos naturais à serviço do progresso da vida anunciando o seu verdadeiro sentido... Ser e pertencer, criando, transformando. Viver!
     




FEVEREIRO - 2018
Celebração do Encontro em Grupo

Marcos Cavalcante

“Faz a tua luz brilhar para iluminar a nossa paz... Fundamental é ser feliz... Juntos vamos acordar o amor...”

A vida se renova e se refaz quando seguimos o fluxo do amor para gerar progressos mútuos na vida daqueles com os quais interagimos. 

Em perfeita obediência a lei da vida, sabemos que nenhum trabalho traz felicidade e sucesso, se de algum modo não beneficia o nosso semelhante. Juntos para quê? Esse progresso é o próprio ato de criação, renovação e inovação manifestado na vivência das habilidades individuais, quando empreendidas na busca de soluções satisfatórias para quem servem. 

Quando duas ou mais pessoas se unem para combinar seus talentos, integrar valores e promover alguma forma de progresso no mundo, juntas, manifestam a luz interior do desejo mais acalentado da consciência pura em busca de expressão criativa, partindo do não manifesto para o manifesto. Assim celebramos o encontro em harmonia na vida em ciclos sem fim...

É preciso um sentido individual na busca de vivificar algo, para que esse algo seja mais do que é, transformando-se em tudo que é, e assim, encarnar um objetivo comum em grupo, que possa revelar riquezas ocultas em cada pessoa, e juntas, descobrirem tesouros nunca antes sonhados.

Pessoas que atuam sob vontade mecânica, são autocentradas, não usam a vontade vital consciente para gerar progressos em uma causa comum em grupo, não criam oportunidades, por efeito, não usam os recursos externos disponíveis com suas aptidões naturais para dialogar com os desafios da sua área de atuação em grupo.

Celebramos o encontro em grupo quando nossa mente criadora nos guia para criar apenas o bem, cuja força de vontade adquire forma exterior tangível. Em um grupo celebrativo seus membros empregam a vontade individual sempre para propósitos construtivos, tornando-se responsáveis pelas escolhas concentrados num único proposito, empregando todos os recursos e oportunidades para impulsioná-los na busca de gerar progressos.

Discorro aqui os fundamentos para um processo interativo, sob a linha de inteligência espiritual e criatividade em grupo, convidando a imprimir o paradigma do Ser-Vir como força propulsora na valorização dos talentos individuais para inovar juntos, favorecendo a diferenciação de cada membro e a integração grupal através da interdependência sustentada pelo alinhamento de desejos, intenções e gestos evocados de um só coração grupal.

Vamos celebrar o encontro? Juntos para quê?  





Janeiro - 2018

A vida é movimento e mudança em ciclos sem fim...
Marcos Cavalcante

Tudo que vivificamos transcorre em ciclos de manifestação da vida do estado potencial para a existência, criando, preservando e dissolvendo. É o ritmo natural do movimento orgânico da vida observado na natureza e em nossos procedimentos culturais criativos.

A vida é uma consciência, uma força amorosa que nos percorre, sustenta e integra em unidade o nosso corpo carnal com o outro em interações criativas  sob ciclos sem fim... Essa lei para Lao Tsé é o Tao, o curso das coisas, o Princípio Uno no interior do múltiplo. Segundo ele, o criativo e o receptivo formam o portal para as mutações. O criativo é o representante das coisas luminosas; o Receptivo das obscuras. Ao unirem suas naturezas, o obscuro e o luminoso dão forma ao firme e ao maleável. Assim os relacionamentos do Céu e da Terra tomam forma.

Esse movimento é o processo de criação em ciclos sem fim... É a “transformação” perene da vida provocando o nosso livre arbítrio sobre o que fazer, como fazer e para quem fazer. “Trans” porque elevamos a consciência a um estado superior, luminoso, ele é quem rege e determina com firmeza um novo nível de consciência que irá dar a “forma” que iremos gerar na “ação” de modo ativo. Essa força criativa desperta e desenvolve a nossa natureza em níveis de consciência cada vez mais elevados. Mudança, portanto, é a única coisa que não muda na vida...

Nesse relacionamento entre o luminoso e o obscuro, regido pelo fluxo natural, o processo de criação revela-se como uma via de mão dupla, igualmente descrita no primeiro e no segundo mandamento cristão: “Amar a Deus (Luminoso) sobre todas as coisas e ao próximo (obscuro) como a si mesmo”. Essa vivência em grupo é celebrada integrando as diferenças de cada pessoa com igualdade, em processos de autotransformação interativos, demarcados pelo ritmo de dar e receber entre quem atende e quem é atendido, promovido pela atitude de Ser-Vir.

Compreendo esse caminho de autotransformação fertilizado pela a atitude de Ser-Vir. Essa atitude é o dínamo criativo que aponta a direção do convite luminoso para o outro que se encontra obscurecido de si mesmo. Essa luz ilumina um caminho e faz mover o outro para ser mais do que é, transformando-se em tudo que é... 

O dínamo é a luminosidade em mim, fazendo-me enxergar a obscuridade no olhar do outro. Juntos, ritualizamos o nosso encontro para suprir necessidades em que nos atualizarmos perante um ao outro, atualizando a nossa natureza, desnudando-a em processos de criação para dar nova forma a vida em nosso modo coletivo favorecendo a expressividade mútua fundindo o luminoso e o obscuro.

O fluir criativo fica comprometido em tensões e conflitos quando não reconhecemos o Princípio Uno no interior do múltiplo, o ponto de unidade que nos integra em amor para fazer mover e tirar da inércia. Isso decorre da incompreensão sobre quem somos, também, do apego a ideia de permanência diante de uma realidade que por natureza é impermanente, bem como do medo de mudar e da identificação com o desejo de controlar o outro.

Desenvolvemos a inteligência espiritual e criatividade em grupo quando nos ligamos à Fonte da criação, compreendendo que o autoconhecimento é mais importante que a realização de algo. Que nossa verdadeira identidade se expande quando vivenciamos o amor intensamente, e sentimos a nossa ligação com Deus, cumprindo o nosso propósito, de ter plenitude, de conhecer e expressar a verdade que vivifica e faz mover.

O pai da teoria quântica, Max Planck dizia que toda matéria existe apenas em virtude de uma força. Que deveríamos supor que por trás dessa força existe uma Mente consciente e inteligente. E que essa Mente é a matriz de toda a matéria. Chamo essa Mente de Fonte Viva, ela é o âmago da sua alma, é preciso silenciar para ouvir seu trovejar e seguir o fluxo que move todos os estágios, criando, preservando e dissolvendo...


Seja feliz em seu novo ciclo de vida, seguindo o fluxo, desenvolvendo suas habilidades individuais de forma inovadora, combinando seus talentos em grupo, integrando valores para realizar um propósito de progresso em sua realidade, usando seu livre arbítrio para vivificar, auxiliando o Princípio Uno,  Ser-Vindo!





Integração de Valores em Grupo

Marcos Cavalcante

As Organizações em nossos dias estão dependendo cada vez mais da capacidade individual de aprender coletivamente como gerar bons resultados. É uma experiência de visão compartilhada e aprendizagem em grupo que requer integrar os pensamentos, relacionar conhecimentos, combinar talentos, delimitar o propósito comum, declarar a missão, e organizar os valores que irão subsidiar o diálogo com a realidade, favorecendo a interdependência provocadora de influências mútuas, até encontrarem a satisfação do propósito grupal.

Pensar juntos soluções para atingir o propósito comum em grupo é fruto da consciência individual de que ela não é produto das circunstâncias, mas produto das decisões coletivas sobre o que fazer, como fazer e para qual propósito estão fazendo o que fazem juntos... A responsabilidade pelos efeitos da ação é coletiva, e a decisão sobre como transformar esses efeitos em algo favorável à realização do propósito comum, é responsabilidade de cada membro do grupo.

O processo de aprendizagem grupal sobre como atingir os melhores resultados em direção ao propósito comum é uma forma de progresso vivificante que tem o poder de dissipar as névoas que turvam a visão individual nos momentos de decisões no coletivo. É a integração de valores que nesses instantes de incerteza e insegurança grupal, irá possibilitar o discernimento e a superação dessa tensão entre olhares, encorajando cada membro deixar fluir do centro do ser suas inspirações criativas e inovadoras.

Valores “impossíveis” que se tornam crenças constroem realidades concretas. Um valor é uma potencialidade pura, capaz de produzir novos insights no olhar diferente de cada membro do grupo diante de um mesmo desafio, transformando a intersubjetividade em força motivacional de tensão criativa. Cada valor, portanto, é uma razão de ser, sua essência diz o que fazer, podendo ser manifestada em infinitas maneiras sobre o como fazer... Valores integrados possibilitam cada pessoa do grupo lançar o seu olhar singular além do horizonte, favorecendo enxergar possibilidades infinitas acerca de como algo pode ser mais do que é, visando satisfazer o propósito desejado, sustentado por um valor de referência e sentido comum.

Valores declarados em grupo que não se transformam em crença individual, não produzem efeitos criativos na interação. Apenas alimentam discursos de vanguarda por conveniência ou condescendência, mas conservam condutas e práticas tradicionais, produzindo efeitos de olhar comparativo, preconceituoso, controlador e excludente, que só julga. Quem procede assim não se responsabiliza em vivificar, não inova através daqueles valores declarados em grupo, nem faz algo se mover através do propósito assumido no coletivo para que algo seja mais do que é.  

A integração de valores em grupo favorece a crença, alimentando a chama do otimismo na criação da realidade adequada em cada momento, podendo produzir efeitos de otimismo na equipe durante os enfrentamentos de desafios, e juntos, conseguirem transformar os infortúnios em realidades criativas, inovando e atraindo melhores condições de trabalho para realização do propósito comum.

A integração de valores em grupo permite cada um dos membros contemplar a importância atribuída ao que fazem juntos, como fazem e para que propósito estão Ser-Vindo. Desse modo, apoiados na autoconsciência daquilo que une desejo, vontade e intenção coletiva, possibilitam a comunhão de inspirações individuais no exercício intersubjetivo na busca de melhores resultados.

Valores integrados geram efeitos de harmonia no compartilhar de perguntas sobre como algo pode ser mais do que é, livre do medo de julgamentos excludentes, por efeito, produzem respostas espontâneas, despretensiosas de dominação. Assim, olhares diversos se coadunam em grupo, irmanados no desejo comum de atingir o mesmo propósito enxergando de modo original e complementar como algo pode ser mais do que é, tornando-se melhor ainda.

Tudo que fazemos, falamos, interpretamos e propomos são valores revelados ou manifestados. O nosso olhar é um nível de consciência prenhe de valores.  A capacidade individual de aprender coletivamente requer mais que valores pessoais... Simplesmente valores grupais que apoiem a missão que conduzirá ao propósito assumido em grupo.



Ser-Vir é o melhor exercício criativo na vida

Marcos Cavalcante

Nascemos para ser membro ativo de um grupo, nos desenvolvemos pela força do altruísmo. Chamo essa vocação natural de Ser-Vir. Ao longo da vida aprendemos a nos interessar pelos outros, a compartilhar sentimentos e impressões na responsabilidade de guardar, proteger, defender e cuidar da missão que assumimos para o bem estar mútuo, visando gerar progressos no mundo. Ser-Vir é essa atitude inerente ao progredir da vida, uma disposição interior na busca de saber como algo pode ser mais do que é, revelando uma nova maneira de se ver as coisas.

O desejo de gerar progressos no mundo é algo intrínseco a nossa natureza humana dotada de livre arbítrio e grupal. É uma necessidade existencial de compartilhar uma vida em comum, produzir progressos nesse algo comum e ser mais.  Manifesta-se como impulso de adaptação, transformação e inovação. Ao organizarmos uma linguagem única a partir da vivência do Ser-Vir geramos uma atividade criativa. Aquilo que produzimos visando progressos em uma causa comum é uma obra de criação, e é sempre o expressivo resultado do ato de viver em comunhão.

Em comunhão experimentamos verdadeiramente a nossa autenticidade. Isso é muito mais que realizar tarefas comuns, não é superficial, não se resume em conversas banais. É genuína, de coração para coração. Ocorre quando demonstramos honestidade a respeito de nós mesmos e do que está acontecendo em nossas vidas na experiência do Ser-Vir.

A criatividade é a manifestação existencial renovada, e é extensão do Ser-Vir. Inclui amar de modo altruísta, compartilhar com transparência, buscando soluções para necessidades práticas da vida com solidariedade. É, portanto, produto do nosso Ser que se manifesta para atender o propósito maior da vida que é celebrar a sua Superabundância em comunhão.

A vida nos oferece razões irrefutáveis para sermos ativos, proativos e comprometidos com o outro em interações grupais. Fomos feitos para entregar nossas vidas uns pelos outros para que a vida progrida em ciclos sem fim... Nessa busca, trazemos qualidade para a atividade que estamos fazendo, até que a criatividade surja como produto em estrutura de significado, em que atribuímos nome, forma e valor a algo que concebemos como uma nova forma ou ideia satisfatória.

Na ausência do espírito de Ser-Vir, a humanidade corrompe a própria natureza fundamentada pela busca de padrões fixados pela cultura, ansiosas por corrigir situações. Nesse caso a expressão fica limitada ao desejo egocêntrico de controle e reprodução de formas já conhecidas, e as necessidades do outro deixa de ser o desafio criativo, tornando-se objeto de manipulação. Nesses casos algumas pessoas usam da fragilidade do outro para que este aprove e reproduza seus modelos de conveniência. Essa desonestidade ao invés de criar uma atmosfera de comunhão e humildade, geram conversas fingidas, encenadas, politiqueiras, superficialmente educada e fútil. Pessoas assim vestem máscaras, mantém a guarda e agem como se sua vida fosse bem sucedida em todos os aspectos. Mas na realidade elas decretam morte ao ato de comunhão, são incapazes de gerar progressos para o outro e para o mundo. Nunca serão lembradas, pois somos lembrados pelo amor que dedicamos ao progredir da vida.

Juntos, para quê? Ser-Vir é base de sustentação do processo de criação como oportunidade de ajudar alguém. Isso não é apenas dar conselhos ou oferecer ajuda eventual. É penetrar na Fonte Viva no âmago do Ser e compartilhar com o outro de necessidades fundamentais, compreendendo, respeitando, abrindo caminho para comunhão, para o ser que vem parido, renovado e anunciado com inovações em ciclos sem fim...

Ser-Vir é um ato criativo que ocorre ao longo de toda vida quando somos impelidos pelo coração a obras que vivifiquem o outro, satisfazendo suas necessidades de ser compreendido e ter seus sentimentos respeitados.

A vida sem Ser-Vir empobrece as capacidades humanas de encontrar em si suas possibilidades de renovação. É o outro que nos provoca essa experiência. Ser-Vir revela a nossa maturidade espiritual pela qualidade dos nossos relacionamentos.    



Propósito de Vida e Propósito em Grupo

Marcos Cavalcante

O propósito é a qualidade chave do foco pessoal na vida, não pode ser transferido ou imitado. Ele é uma força intrínseca, surge como resultado da soma entre o desejo aspirado pela alma e a vontade de realização criadora em interações grupais.

Uma pessoa pode até receber do “alto”, o propósito da sua organização, que estabeleceu uma visão de futuro. Porém, a motivação do seu trabalho será definida por seu propósito pessoal.

Desenvolver a autoconsciência do propósito de vida, integrado ao propósito da organização, possibilita tanto o diálogo proativo com o que fazemos como saber identificar na reação da ação desenvolvida, aquilo que conduz à visão de futuro da organização ou nos desvia dela. É através da integração de valores em grupo que é possível fundirmos os propósitos individuais e o proposito da organização.

O princípio da liberdade de escolha individual indica que mesmo que alguém receba ordens para cuidar de um trabalho que cumpra o propósito da organização, se ele não representar o seu propósito pessoal, a visão da organização corre o risco de não ser atingida, ainda que a pessoa faça o melhor possível na realização de suas funções e tarefas. Ela pode até aceitar a visão de futuro da organização passivamente, ou pode ficar ressentida, mas pode não se sentir envolvida caso essa visão não seja uma extensão do seu propósito de vida. Não havendo envolvimento, não há sentido de pertencimento, por efeito, mesmo que ela se comprometa em realizar a tarefa com perfeição, não irá se responsabilizar em estabelecer um diálogo proativo com os efeitos da sua ação, dificultando o progresso para se atingir a visão de futuro da organização.

O propósito único da organização torna-se uma imensa energia de cooperação mútua, quando integra valores em grupo com clareza, unindo o propósito de cada um de seus membros.




Diálogos...



Pergunta formulada por Luciana Nogueira (Graduada em Letras; Diretora de uma Escola Pública em Maracanaú – CE)
                                                                                                                                                              Sobre a arte de conviver: Como encontrarmos o ponto de harmonia na construção de um bem coletivo? O que devemos aprender, ensinar, ceder ou agregar?       
           
O texto abaixo foi inspirado por essas perguntas acima...


Conviver: A arte de viver com

                                                         Marcos Cavalcante

A harmonia em grupo é produto da comunhão de valores, crenças e aspirações semelhantes.  A “Inteligência Espiritual e a Criatividade” fluem em grupo, quando seus membros estão na companhia de outros com intenções declaradas, encorajando-se mutuamente à liberdade de escolhas conjuntas, visando gerar progressos em seu “objetivo comum”.

Juntos para quê? Quando a intenção é pura, e os objetivos comuns são declarados, a direção é certa. Assim somos atraídos para criarmos e inovarmos dinamicamente a realidade, manifestando algo que formamos nas muitas conexões que fazemos, combinando os nossos olhares e saberes, na busca de atingir os melhores resultados possíveis naquilo que trabalhamos juntos para celebrar com sucesso o objetivo comum declarado.

A construção do caminho da missão que conduz ao objetivo comum - declarado na forma de visão de futuro-, apoia-se na integração de valores, constituindo-se como um bem coletivo. Nessa vivência, cada membro do grupo aprende ensinando, e agrega cedendo. Desse modo harmonioso o processo de criação se revela, possibilitando a manifestação de algo inovador.

Pessoas que estão no mesmo caminho, mas não assumem o compromisso e a responsabilidade de estarem disponíveis para fazerem escolhas juntos, livres de qualquer armadilha egocêntrica de controle externo, baseiam-se em desejos unicamente pessoais. Escondem desejos inconscientes e caprichos, levando-lhes a ocupar um espaço em grupo, mas em épocas difíceis sempre estão ausentes. Essas pessoas não falam a verdade, não produzem progressos na causa coletiva. Movem-se pelo sentimento de culpa, e procuram desviar o olhar do grupo sobre si, dissimulando, apontando para responsabilizar o externo pelos efeitos do seu comportamento.

Todavia, pessoas que se unem com clareza de propósitos, visando gerar progressos em uma causa comum, evoluem melhor quando adotam a moral da autoconsciência, já que essa referência valoriza os relacionamentos em grupo como fonte de aprendizagem e de expansão de sua consciência rumo ao progredir infinito.

Estando autoconsciente dos sentimentos sobre como reage à realidade na interação em grupo, a pessoa não deixa passar as valiosas oportunidades de encarar o sentimento de rejeição que os outros despertam em si. Ao contrário, inicia o olhar para sua realidade reconhecendo e aceitando, os sentimentos que estão lhe impedindo de se transformar e inovar. Diante dessa tensão emocional sabe que o princípio da aceitação, possibilita-lhe converter suas emoções destrutivas em manifestações de amor curativas.

O líder favorece a harmonia necessária ao processo de criação e inovação em grupo, quando promove um clima amistoso e de ressonância, para despertar o potencial de cada membro da equipe, colocando os desafios diante dos olhos de cada um, para serem tratados com consciência e liberdade de escolha individual, incluindo a vontade coletiva declarada em seu objetivo comum, de modo que transformem o olhar sobre os limites ali percebidos, em um enxergar de possibilidades inovadoras.

Enxergo, portanto, que o ponto de harmonia na arte de conviver nas construções coletivas em grupo, encontra-se na declaração do propósito comum, que é o cerne do seu processo de criação. Ele é o ponto, através do qual, aprende-se ensinando, e agrega-se cedendo, possibilitando cada integrante enxergar na linha do horizonte, que juntos, fomos feitos para criar e não para dominar. Juntos, para quê?





Pergunta levantada por Claudie Lange (Facilitadora de Biodança e Nutróloga).

- Vejo nos tempos atuais, a mumificação de um coletivo, perdendo-se na complexidade da vida, afetando assim o todo. Se o todo está doente (politicamente, socialmente, afetivamente...), nossas raízes estão sendo negadas. Como viver de um modo Divino, no Caos da civilização?

O texto abaixo foi inspirado por essa pergunta acima...


Somos o mundo: Que escolha você faz?
Marcos Cavalcante

Que posição ou condição você assume hoje, vítima, vilão, vilã, mocinha, mocinho, bandido ou protagonista? O que você escolhe ser e fazer? Como você vem se adaptando às influencias da complexidade, geradas por variados e dinâmicos sistemas, não lineares, mas heterogêneos, Inseparáveis e interdependentes?
O mundo complexo é um mundo interligado, em que a vida circula em conexões simultâneas, espalhando pensamentos, comportamentos, criações, invenções de toda espécie - saudáveis ou não-, numa velocidade nunca antes vista, gerando influências mútuas em pessoas, culturas, regiões, países, continentes e planeta.
Aquilo que vem afetando a minha vida, a sua e a de todos no mundo, são efeitos dessas indeterminadas e múltiplas conexões. As variadas formas de energias que emanam dessas conexões podem chegar ao coração de cada pessoa de modo único e intransferível, chamando a morrer ou a viver intensamente, do local para o global e do global para o local que habitam.
Esses efeitos não nos permitem esquecer que “o coração é o quintal da pessoa”. Que aquilo que afeta o coração da nossa vida, mostra que nada existe na complexidade do mundo sem que esse poder esteja fluindo intensamente através de tudo e de todos, criando uma rede invisível e de infinitas possibilidades, chamando-nos à responsabilidade pela liberdade de escolha.
A pergunta que persegue individualmente cada pessoa hoje, em qualquer parte do mundo, a toda hora e a todo o momento, é: Que escolha posso fazer para aumentar a vida, e me tornar mais forte, inovando e criando variadas maneiras de manifestar a mais pura energia divina?   
Tudo que tocamos, ouvimos, enxergamos, inalamos ou saboreamos como efeito da complexidade, nos remete ao sentimento. Eu não posso criar ou destruir os efeitos da complexidade, mas posso participar dela inovando, transformando-me incessantemente em ciclos sem fim, Ser-Vindo...
Fazer uso da minha liberdade de escolha no local onde atuo, integrando olhares com grupos que compartilham de um objetivo comum vivificante, e respeitar a liberdade de escolha dos outros, determina a qualidade das minhas interações no mundo, produzindo efeitos positivos no todo.
Despertar para o significado do amor que se dá, para quem se deu, é um modo de compreender que o mundo sou eu em minhas interações, em unidade na diversidade. É vivificar, é fazer mover, é gerar vida em abundância onde a vida nos toca o coração. Unindo corações, compartilhando habilidades para inovar, e saber que estamos aqui para criar, e não para dominar.

No mundo complexo os iguais que se repelem são os que dominam, os opostos que se atraem, são os que estão Ser-Vindo. O que você escolhe? Assim será o seu destino na complexidade...

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Manuela Grangeiro (Dra. em Educação) Fortaleza-CE: O conhecimento acadêmico significa para mim um estudo teórico e de pesquisa sobre as mais diversas áreas. Como dialogar com o conhecimento acadêmico sem comprometer a autoestima e a alegria de viver?


O texto que segue foi inspirado por essa pergunta...




Conhecimento: Da vivência para o significado e do significado para a vivência.

Marcos Cavalcante

Parafraseando Vinícius na letra “Como dizia o poeta”, eu diria... Quem conhece o que conhece, e não viveu, pode ter acumulado muita informação, mas sabe menos do que quem o viveu... Quem conhece o que viveu sabe por que se deu, por que amou, por que chorou, por que perguntou, por que viveu...

O conhecimento não evocado pela vivência apresenta características de dominação psicológica, não contagia, não envolve, não tem poder criador, não transforma. Corre o risco de se tornar apenas uma estrutura, lógica, estética e árida, destituída de um sentido existencial autoapropriado. Limita-se ao campo cognoscível, estético, lógico e superficial. É frágil às perguntas, estas, indicam possibilidades...

Quem divulga um conhecimento dissociado da sua vivência, tende a argumentar com tom de autoridade, conduta árida, fria, moralista, determinista e cética. Possivelmente absorveu o conhecimento de forma passiva e inerte. Por outro lado, um conhecimento prenhe de vida contagia, estimula inquirições porque o seu dínamo faz mover. Exprime a razão de ser de alguém em sua busca de sabedoria e sentido na vida, tecidos em suas interações.   

Na Bíblia Sagrada, o livro de [1]Provérbios indica que há três métodos para se adquirir sabedoria: Primeiro por reflexão, considerado a mais “nobre”; segundo, por imitação, considerada a mais fácil; terceiro, por experiência que é a mais amarga. A mais amarga traduz o sabor de quem protagoniza corajosamente um diálogo autodescoberto com o mundo, parindo-se a si mesmo em conhecimentos vivenciados. “Mistérios de Deus tão guardados, por fim revelados, nus, sob o sol...”

[2]“Produzir o mundo é o cerne pulsante do conhecimento e está enraizado em nossa estrutura cognitiva, por mais sólida que nos pareça à experiência.” (Humberto Maturana)

Conhecer o mundo é conhecer a si mesmo. Esse fundamento sobre o conhecer o conhecer, apresentado por Maturana, adverte-nos que o conhecimento do mundo é o conhecimento de ser no mundo.

Ser no mundo, é um processo que envolve descobrir o sal que está na própria pele, ao longo de interações criativas em grupos, nos ciclos sem fim da vida...

Esse conhecimento quando apropriado pela visão positiva do olhar de si, no diálogo com o mundo, favorece a autoestima, por revelar a qualidade que lhe pertence, satisfeito com a sua identidade em expressões livres e espontâneas em interações criativas em grupo.

A linha de Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo indica que o conhecimento capaz de gerar progressos na vida, apoia-se na autoestima por ser um ato de valorização da vida gerando vida.

A valorização da vida requer do professor e do aprendente, o esforço contínuo para manifestar o belo, o bom e o perfeito, inerente aos potenciais referentes à própria natureza, e assim, poder parir o conhecimento capaz de gerar novas formas de ser e estar na vida, vivenciando suas possibilidades infinitas, ao mesmo tempo em que transforma a cultura, transformando-se como metamorfose ambulante em interações contínuas.

Apropriar-se do conhecimento teórico, do significado para a vivência - percebido através dos sentidos como realidade absoluta e mecânica -, pode engessá-lo na memória e transformá-lo em uma estrutura de modelo mental reprodutivistas, dominadora, utilizando-se de palavras como ”sopa de letrinhas”, capaz de inibir tanto o próprio livre-arbítrio, como o do outro que irá tomá-la. Por efeito, reforça-se um controle externo que pode demarcar uma hierarquia de dominação psicológica, interferindo na cultura, bem como na autoestima do professor e do aprendente, castrando ou inibindo a liberdade de escolha em ambos. Desse modo, não revela suas almas em livre expressão, e mais, inviabiliza interações criativas.

Sem um sentido existencial autoapropriado e autodescoberto, o conhecimento pelo conhecimento, em si, não é substância da vida. Não há qualidade inerente nele. O que atribui qualidade ao conhecimento é a mente criativa que visa vivificar algo em processos interativos em qualquer nível do viver através do livre arbítrio...

Viver é um eterno conhecer-se em interações criativas... É conhecer o conhecer no modo como se dá em si, como diz Maturana. É saber-se em liberdade de escolhas geradoras de movimento e mudanças. É evoluir através de inquirições desejando ser mais do que é culturalmente, buscando ser tudo que é em suas potencialidades naturais.

O conhecimento acadêmico segue o rigor da ciência com seus pressupostos teóricos e metodológicos nos caminhos da investigação, retratados em ensino, pesquisa e extensão. Assim recorrem à natureza, esta, desnuda-se a quem deseja evocá-la para gerar mais vida, procurando por algo mais.

Mas é importante lembrar que esses símbolos do conhecimento acadêmico conduzem a mente à verdade, mas não são a verdade, daí ser enganoso adotá-los como um fim em si mesmo, e segui-los desligados da consciência de nossa própria experiência, reações, sentimentos e realizações. Ele se torna vivo quando traduz a nossa experiência de ser e pertencer para transformar e inovar.

[3]“Nós construímos modelos de como construímos o mundo exterior, e quanto mais informações temos, mais refinamos nosso modelo de um jeito ou de outro. Em última análise, o que fazemos é contar para nós mesmos uma história a respeito do que é o mundo exterior. Qualquer informação que processamos e assimilamos do ambiente, vem sempre com as cores das experiências que tivemos, e de uma reação emocional que temos daquilo que estamos incorporando.” (Quem Somos Nós)

Conclamo aprender a conhecer, conhecendo-se da vivência para o significado, na busca de gerar progressos no mundo, orientando-se pela inteligência espiritual em processos de criação, em interações grupais contínuas com motivação para Ser-Vir.

Uma pessoa com elevada autoestima, pode recorrer à razão como um território fértil para um diálogo autoconsciente, e assim, conduzir suas inquirições e argumentações, reconhecendo que a sua vida é sempre uma grande pergunta atrás de uma grande resposta.  Caso essa experiência cognitiva não lhe envolva de maneira pessoal, essa experiência com o conhecimento perde a força existencial, e por efeito inibe a sua autoestima.

A autoestima é fundamental na vivência desse mundo complexo, bem como no desenvolvimento da fluidez na produção do conhecimento, seja ele acadêmico ou não. Nesse território, professor e aprendente podem despertar para suas realidades através do conhecimento vivencial, e assim, abraçarem a própria natureza, imprimindo valor mútuo ao conhecimento dirigido a espaços criativos de visão compartilhada. Isso é consolidado no vínculo, pertencendo, indicando o horizonte que permite ultrapassar a ilusão do conhecimento como fator de dominação, tensão e resistência que prende a individualidade.

A pessoa que realiza o seu eu através de um conhecimento eleva a autoestima. Ela se torna uma presença no mundo que pertence a relacionamentos íntimos, criando realidades diferentes, gerando efeitos de felicidade em seu viver protagonizando suas perguntas para a vida com espírito livre, encarando com determinação criativa o que é plural e diverso.

Compreendo, portanto, através da linha de “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo”, que o conhecimento permeado de sentido vivencial, congrega conceitos que se relacionam entre si com a vida de quem o produz na busca de Ser-Vir. Assim, imprime consciência de avanço no tempo, anunciando de modo abrangente, o modo como cada pessoa significa suas emoções, não havendo descontinuidade no conhecimento que lhe traduz no mundo com autoestima elevada.



[1] CNBB. Bíblia Sagrada. São Paulo – SP. Ed CANÇÃO NOVA; Décima Edição.
[2] MATURANA, H. e Varela, FA Árvore do Conhecimento.  Campinas – SP.  Ed PSY,1987;
[3] ARNTZ, W. Quem Somos Nós Rio de Janeiro – RJ.  Prestígio Editorial, 2007;
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Vanda Fernandes (Bacharel em Filosofia e militante nos Movimentos Sociais):

"Qual  o teu olhar quanto em que medida o autoconhecimento contribui, interfere, perturba as relações interpessoais, e como estas podem tornar ou não o ambiente–espaço, casa, família, trabalho, sociedade, enfim... Enquanto espaços nutritivos, de convivências saudáveis, de reciprocidade e paz? Diferentemente do que tem prevalecido ultimamente..."

O texto abaixo foi inspirado nessa pergunta...





Autoconhecimento e Harmonia nas 
Relações Interpessoais

[1]Marcos Cavalcante

A incapacidade de nos darmos bem com as pessoas que desejamos nos entender, mencionado por [2]William Glasser em sua “Teoria da Escolha”, parece-me ser algo que corrói a alma da maioria das pessoas em sua busca de harmonia nas relações interpessoais.
Vejo que o [3]altruísmo biológico, inscrito em nossa memória celular, determina que o melhor relacionamento seja quando um precisa do outro. Isso requer o meu reconhecimento desse propósito comum como fonte motivacional, seguindo o fluxo da autorrealização criativa inerente ao curso natural da vida, unindo-me ao outro, vivificando nossas interações com transformações mútuas em ciclos sem fim, responsabilizando-nos pelo progresso em nossas escolhas conjuntas.

Para todos os propósitos práticos, nós escolhemos “tudo o que fazemos”, inclusive a infelicidade que sentimos. As outras pessoas não podem nos tornar felizes ou infelizes. Tudo que podemos dar ou obter das pessoas são informações. [4](William Glasser)

A minha natureza grupal e o meu livre arbítrio, estão a todo o momento me lembrando de que a vida é feita de relacionamentos e escolhas. Isso requer da minha autoconsciência, uma revisão periódica sobre o meu propósito com o outro: Juntos para quê?
Essa revisão envolve a atualização do meu foco motivacional, integrado ao objetivo comum com o outro, sustentados pelo alinhamento de valores que irão subsidiar a nossa visão compartilhada com harmonia em decisões conjuntas, frente aos processos de criação que nos desafiam uma resposta, até atingirmos o progresso que desejamos alcançar juntos. Mas não confundamos harmonia com equilíbrio. Harmonia é instável, é movimento. Equilíbrio é estável, algo estático.
 Desse modo, de tempos em tempos, pergunto-me pelo sentido da vida, na busca de compreender quem sou e com quem estou. Isso é autoconhecimento, é o meu conhecimento interior na busca pela sabedoria que me oriente na superação daquele nível de consciência em que me encontro, e que me causa insatisfação no diálogo com a realidade de minhas interações.
Sendo assim, compreendo o autoconhecimento, como a minha busca pelo sentido na vida. Essa vivência é pessoal, intransferível e incomparável. Saber-me num sentido na vida, faz-me exercer a liberdade de escolha, isso contribui e colabora para a minha entrega junto com outro em nossas interações. Desse modo, o autoconhecimento “influencia”, e até colabora para uma melhor atmosfera na convivência com o meu semelhante por ser um caminho de libertação interior, que me torna disponível para gerar progressos através de ações cooperativas, solidárias e criativas na vida.
No entanto às leis da manifestação da vida indicam que Ser-Vir é a força agregadora que verdadeiramente irá produzir o efeito de harmonia nos relacionamentos. Ser-Vir é uma atitude inerente a razão de ser da minha natureza humana geneticamente grupal. Essa vocação natural é favorecida quando estou sem a trava no meu olho, e consigo enxergar as necessidades do outro para atendê-lo satisfatoriamente. Portanto, a natureza nos adverte que entre quem serve e quem é servido, não cabem interesses antagônicos.

Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz... ([5]Madre Tereza de Calcutá)

A harmonia nas relações interpessoais é efeito do amor recíproco entre quem dar e quem recebe. É quando afetivamente lanço o olhar empático e misericordioso sobre as necessidades do outro, e criativamente enxergo o que fazer para despertar a sua livre expressão, tal como ocorre em uma dança espontânea.
A harmonia, portanto, é o efeito da comunicação que flui naturalmente na interação cujo compromisso é Ser-Vir. É uma comunicação entre eu e o outro, que colabora para adaptações e transformações mútuas, animadas por uma alegria natural revelada em um recíproco agradecer.
Mas se eu disparo o gatilho do autoconhecimento motivado pela autoimagem idealizada, visando me trabalhar estrategicamente para ter paz na interação com o outro, posso desencadear neste nível de consciência um controle externo sobre o outro, iludido pelo desejo de harmonia e paz entre nós.
Percebo a harmonia como a celebração do encontro entre eu e o outro. Efeito do amor, da entrega e gratidão, desvelados pelo meu desejo de Ser-Vir em um propósito comum, e não propriamente um alvo a ser atingido para intento comportamental. Se nessa interação o meu foco for a “harmonia”, e não o Ser-Vir em um propósito comum, posso manipular a minha comunicação com o outro através de negociações alternadas por momentos de condescendência e conveniência, na tentativa de evitar alguma forma de conflito entre nós. Mas essa busca de harmonia no fundo é autoengano, traduz melhor uma busca por equilíbrio em forma de controle, no desejo de ter razão, visando aprovação, temendo a rejeição e querendo que o outro pense igual. É uma forma de aliciar a liberdade de escolha do outro. Essa tentativa de equilíbrio disfarçada pela busca de harmonia gera tensão emocional e um campo fértil para o conflito.
Essa tensão emocional, sugerindo-me uma busca pela a harmonia em minhas interações, normalmente ocorre quando eu e o outro somos chamados a fazer escolhas conjuntas. Mas antes disso, seria positivo nos perguntarmos individualmente: O que eu estou prestes a fazer vai me aproximar do outro ou nos distanciará ainda mais? Para que estamos juntos? O que estamos para celebrar? A minha função nessa interação é dar ou receber? Que tipo de progresso nos comprometemos em realizar juntos?
Frente aos desencontros com o outro, a vida está sempre a me advertir que qualquer forma de controle externo, é uma tentativa de forçar o outro a fazer algo que talvez ele não queira. E que todos desejam e precisam de liberdade. Então, volto a me questionar: Para que estamos juntos? Interesses antagônicos não favorecem o diálogo.
Enquanto eu e o outro estivermos submetidos ao controle externo sempre haverá comparações, desejo de aprovação de uma imagem a ser protegida, dependências de elogios e premiações visando elevar a autoestima. A ameaça de julgamentos que promovam a rejeição, gera essa tensão emocional que induz o controle e a dominação sobre o outro. Esse território é um campo minado, indicando a impossibilidade de um diálogo harmonioso.
Pelo exposto aqui, reafirmo que o autoconhecimento não gera harmonia nas relações, mas se transforma na harmonia interior que me possibilita a pureza de coração, permitindo-me celebrar a unidade no encontro com o outro através de um propósito comum vivificante, livre da necessidade de controle externo e expectativas de resultados preestabelecidos.
A harmonia, portanto, resulta das minhas conquistas de sabedoria, libertando-me daquilo que me impede de ser livre, somando empatia com o meu desejo de ser solidário em práticas cooperativas, em que expresso os meus potenciais, provocando a expressão dos potenciais do outro, visando escolhas favoráveis à sua felicidade.
Para Ser-Vir escuto o som do meu coração em forma de canção, e junto com o outro, movidos por esse sentimento, celebramos lindas danças, plenas de sentido afetivo. A harmonia surge como efeito dessa música, anunciando em unidade que não precisamos nos cobrir de razões, mas nos cobrir de amor e descobrir a razão de tudo que nos faz dançar com o outro.



[1] Blog: marcoscavalcantefv.blogspot.com
[2] GLASSER, William. Teoria da Escolha. São Paulo –SP. Ed MERCÚRYO, 2001;
[3] MATURANA, H. e Varela, F. A Árvore do Conhecimento.  Campinas – SP.  Ed PSY,1987;

[4] GLASSER, William. Teoria da Escolha. São Paulo –SP. Ed MERCÚRYO, 2001
[5] BELLINZAGHI, Roberta. Cinco Minutos com Deus e Madre Tereza. São Paulo –SP. Ed      PAULINAS, 2012


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O tema abaixo me foi sugerido pela Professora do Município de Pacatuba Fortunata Carvalho, a quem carinhosamente dedico a inspiração dessa Fonte Viva... 


  
        O DUALISMO E A BUSCA DA       ESSÊNCIA DO EU
“Conhecerei a verdade e ela vos libertará”  
     
[i]Marcos Cavalcante

Diz o dito popular, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Qual das opções é a melhor, esta ou aquela? Esse dualismo gera dor na consciência. Essa dor é a diferença entre o que é e o que eu quero que seja.
Comungo com a premissa de [ii]Joel Goldsmith no esclarecimento sobre a causa do dualismo, disse ele: “Todos os males, de qualquer espécie, vêm da fonte negativa do nosso ego humano, e a libertação desses males vem unicamente da atuação positiva do nosso Eu divino”.
A realidade, seja ela indesejável ou inevitável, é aquilo que é. Ela se desnuda em um campo de possibilidades, como totalidade indivisível no centro do ser, exigindo-me responsabilidade ética enquanto ser reflexivo que sou. Ela é aquele meu estado essencial, misterioso e inefável, meu ponto interno de referência, território da verdade que me possibilita a comunhão capaz de vivificar algo criativamente em interações, encurtando distâncias e eliminando barreiras, visando a manifestação do belo, do bom e do perfeito inerente a tudo que é vivo.
Quando interrompo o diálogo entre esse ponto de referência interno e a realidade, perco-me da unidade com ela, surgindo nesse lugar um olhar fixo sobre algo que passo a chamar de objetivo, de um fora. O ego, portanto, passa a ser o meu estado de referência aos objetos. Através dele me vejo através dos olhos de outras pessoas. Isso me deixa constantemente atemorizado porque tudo que faço prevê sempre uma resposta de controle externo, e por efeito, ele está fixamente se perguntando como algo deve ser, se algo está certo ou errado.
O meu eu essencial, é uma Fonte Viva, é essa parte profunda de mim mesmo que está para além dessa autoimagem idealizada do ego que fabrica o tempo com seus papeis e funções. A Fonte Viva não tem tempo, ela é esse fator sem tempo que está presente em todas as experiências como potencialidade pura no aqui-agora desejando manifestar-se em possibilidades. Quando o meu ponto interno de referência muda e deixa de ser o ego, para ser a Fonte Viva, eu me converto espontaneamente em testemunha alerta do meu próprio eu, como vanguarda da pergunta sobre como algo pode ser. E nesta observação alerta há desapego, há desprendimento. E no desprendimento a gente reconhece que o ego não é os personagens que representa a nova resposta. Na verdade posso desempenhar ao longo da minha vida uma infinidade de papeis e funções, mas eu não sou a imagem mental que justifica os papeis ou funções que desempenho, e sim o modo como os desempenho de diferentes maneiras, inspirado por uma Fonte Superior para dar nova forma a vida em comunhão.
[iii]“Se percebemos que a vida realmente tem um sentido, percebemos também que somos úteis uns aos outros. Ser um ser humano é trabalhar por algo além de si mesmo (...). O homem não deve perguntar pelo sentido da sua vida, mas ele deve perceber que é a vida é que o pergunta” Viktor Frankl
A compreensão adequada de quem sou realmente, orienta-me a disponibilizar os meu dons e talentos para servir e vivificar, assim, aprendo errando, prossigo em unidade como eterno aprendente, enquanto o ego, em sentido contrário,  está sempre procurando aprender com os seus próprios erros com vistas ao controle externo.
Apoiado na Fonte Viva como minha fonte de referência interna, pergunto-me como posso ajudar e celebrar possibilidades no encontro com o outro. Apoiado no ego, gero o dualismo, quero sempre saber como controlar, ganhar e obter vantagens.
Através da autoconsciência observo com aceitação e gratidão o que sente o meu coração. Assim, saio do nível inconsciente para o reino do nível consciente. Afirmo a minha liberdade afirmando externamente a minha autonomia humana, em meus pensamentos, palavras e atos como fios de amor tecendo a manifestação da vida em processos de criação evocados pela unidade que me faz ser e pertencer celebrando a liberdade do outro em ciclos sem fim.





[i] Blog: marcoscavalcantefv.blogspot.com
[ii] GOLDSMITH, Joel S. A Arte de Curar pelo Espírito. 4 Ed. São Paulo –SP. MARTIN CLARET, 2004. 177 p.
[iii] FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. 13 Ed. Petrópolis/RJ. VOZES, 2001. 131 P.
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Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo: um Caminho para a Educação do novo Milênio.

Autor: Marcos Cavalcante
Blog: marcoscavalcantefv.blospot.com

Inteligência Espiritual e Criatividade em grupo é um proeminente ensinamento que visa o despertar dos potenciais humanos Ser-Vindo.

Demonstra que gerar progressos na vida requer o esforço contínuo de manifestar o belo, o bom e o perfeito, inerente aos potenciais da natureza, e assim, gerar novas formas na vida, transformando-se em suas possibilidades infinitas, transformando a cultura como metamorfose ambulante em interações contínuas.

Desenvolve-se essa Inteligência, combinando talentos e integrando valores. Respeitando-se, desse modo, o nível de consciência individual de cada um e cada uma ao potencializar-se, potencializando o outro em ciclos sem fim. Nessa vivência cada indivíduo se torna o seu próprio redentor.

Criar em grupo, portanto, é buscar um sentido coletivo na vida, cuja empatia motiva a revelação livre e expressiva das capacidades inatas de cada indivíduo em sua busca conjunta de gerar novas formas no compromisso e responsabilidade de vivificar a sua realidade de sentido. Desse modo celebram a vida através do encontro, integrando o potencial infinito da natureza individual, no esforço continuado de transformar a cultura em ciclos sem fim.

Podemos compatibilizar essa linha pedagógica com o "Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI" - “Educação um Tesouro a Descobrir”. Ele descreve o novo milênio como um tempo de interdependência planetária, exigindo uma consciência cidadã apoiada em corresponsabilidades e sustentabilidade ecológica em nível global. Aponta que o mundo complexo requer de seus cidadãos uma mente autoconsciente, aberta, flexível e criativa, capaz de adaptação inteligente às circunstâncias de cunho imprevisível e incerto, visando encontrar soluções sustentáveis para o meio em que vive.

O mesmo Relatório sugere uma educação capaz de conduzir o sujeito aprendente a se compreender ao longo de toda a vida, compreendendo o semelhante e a realidade que tecem juntos, considerando a complexidade do mundo vivido que propõe quatro pilares de sustentação para uma educação autoconsciente e proativa: aprendendo a aprender, aprendendo a fazer, aprendendo a trabalhar junto e aprendendo a ser.

No exercício das minhas práticas como educador, tenho visto nos mais diferentes espaços escolares, a dificuldade dos professores sobre a compreensão acerca da natureza da própria mente, e como produto dessa vivência, saber como levar o aprendente a ser protagonista, encontrando um sentido pessoal e dialógico através do currículo escolar.

A “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo” é um caminho de volta ao começo, possibilitando a redescoberta do sal que está na própria pele, conduzindo à compreensão da própria mente de modo autoconsciente, integrando sentido e significado na vivência de liberdade vinculada, sacralizando cotidianamente a vida na experiência criativa de ser e pertencer em ciclos sem fim.

Ao favorecer a visão integrada em cada pessoa, através da elevada prerrogativa de que o saber deve ser também a aspiração máxima do seu espírito, e a criar suas próprias defesas mentais adotando uma posição inabalável, que o faça invulnerável à influência de qualquer pensamento sugestionador que tente subjugá-lo ou intimidá-lo, a “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo” se constitui em um sistema coerente que integra leis da vida de forma interdependente a favor da evolução da mente humana, enquanto fragmento da mente universal.

Ao ensinar a acumular e concentrar essas energias destinadas a fortalecer o espírito e a promover o ressurgimento do ser consciente em esferas superiores de evolução, lembrando que tudo principia na própria pessoa, a “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo” possibilita uma profunda compreensão da dinâmica mental do psiquismo, e deste modo, pode contribuir para que o professor possa explorar uma didática que seja favorável ao conhecimento de si mesmo, e da evolução consciente do aprendente, mediante a organização dos seus sistemas mental.

Assim vejo a “Inteligência Espiritual e Criatividade em Grupo”, “ciência do Ser-Vir”, preconizada por mim, contribuindo com a educação do novo milênio, explorando o autoconhecimento, possibilitando a emancipação do aprendente ao focar a identificação, classificação e seleção dos próprios pensamentos, conduzindo este ao conhecimento de si mesmo, do outro, do meio, de Deus, do universo e de suas leis eternas de modo proativo, gerando soluções sustentáveis para um mundo cada vez mais plural e diverso.
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Solidariedade é Ser Alguém Total em Atos de Criação...
Marcos Cavalcante
Quem quer um pedaço, um pouco de alguém?
Parafraseando a letra da música Alguém Total, eu diria:
Vem me ajudar, vem... Mas repare bem, quem ajudou a quem, já que vou lhe ajudar também?
Quem é solidário não sabe se deu, ou se devolveu, ou se perdeu. Quando a ação solidária sai de alguém e não volta, é porque não envolveu. Anunciou, mas não renunciou, não dissolveu.
A prática solidária quando vai além do instante, aí, envolveu, daí você tem alguém total. Esse laço é recíproco entre pessoas independentes. Unidas por um interesse comum, assumem a responsabilidade moral de apoiar o outro no caminho da sua autorrealização, e de mãos dadas aderem uma atividade ou causa que irão vivificar mutuamente.
Pensar em dar, visando receber gera uma distorção da lei do retorno. Nesse caso não há unidade, não há empatia, não há vínculo, não há envolvimento. Ali inexiste a visão que enxerga as reais necessidades de autorrealização do outro.
Dar visando receber é uma troca. Essa conduta pode se converter em relações de controle e dependência, que ao invés de vivificar, e gerar abundância, inibe às expressões, enfraquece a autonomia do outro fortalecendo a idéia de que o controle externo trará os melhores resultados de satisfação pessoal. Isso é um equívoco sobre a prática solidária amplamente percebido em nosso meio cultural. É quando a pessoa que dá, não se dá, mas oferece uma isca invertendo a situação para receber daquele a quem deveria dar. Entendo que Jesus quando orientou que “deveríamos dar ao outro o que mais gostaríamos de receber”, Ele nos advertia que o verdadeiro dar-se é um ato de renúncia egocêntrico.
Ser solidário é enxergar a natureza inibida do outro por trás de uma dada situação, e oferecer os dons pessoais manifestados em competências e habilidades para possibilitar a pronúncia da natureza do outro e leva-lo a autorrealização em seu percurso de evolução humana.



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O MUNDO COMPLEXO NÃO É DE COMPETIÇÃO, MAS DE CRIAÇÃO: 
VOCÊ ESTÁ AQUI PARA CRIAR, NÃO PARA DOMINAR...
Marcos Cavalcante


Vi no século XX muitos movimentos transgressores, organizados para romper o cerco da repressão e gritar o direito de criar em busca do exercício da livre expressão. Surpreendo-me em nossos dias, em pleno século XXI, com a conduta invertida de algumas dessas pessoas, que hoje usam discursos de vanguarda, oportunos ao mundo complexo, incerto e imprevisível para manterem uma prática dominadora e conservadora.
Essa prática de dominação conservadora anda na contramão do mundo que busca nas parcerias, soluções criativas para os seus desafios. Ao invés disso, essas pessoas copiam idéias, não criam nada original e vendem o sonho do sucesso com argumentos sofistas de autoridade, estrategicamente envolventes e bem estruturados, para convencer pessoas, assim como elas, inseguras, com baixa autoestima e dependentes ao consumo de suas promessas autoenganosas.
Controle e dominação são absolutamente incompatíveis com necessidades imprevistas e de difícil compreensão, tão comuns aos nossos dias. Esse mundo precisa com urgência imediata de pessoas autônomas, livres, capazes do conviver com o diferente, hábeis tanto na realização do diagnóstico participativo frente ao caos, como na resposta conjunta e criativa aos desafios que dali emergirem.
“Eu vim criar um caos em você, porque é do caos que nascem as estrelas” Osho
O mundo complexo é uma teia global com interdependência planetária, geradora de influências mútuas do local para o global e do global para o local. Essa teia é tecida através de um desafio criativo após outros produzidos e respondidos por pessoas, grupos, cidades e nações. Isso evoca em cada um, o olhar focado e a responsabilidade criativa de encontrar respostas satisfatórias a esses desafios a partir do solo que pisam, e continuamente fazer diferente do passado.
O desafio, portanto, é possibilitar no olhar de todos o foco no presente com as suas incertezas, e romper com o paradigma das certezas, no olhar do tolo que deseja uma prova do que não consegue perceber em um mundo imprevisível, e libertá-lo dessa crença de querer tentar fazer o outro acreditar nisso.
O que contagia é a vivência da verdade pronunciada pela alma que encarna no mundo com empatia, energia e entusiasmo. Uma conduta de dominação, mesmo que mantida por temas inovadores, não é capaz de fazer brotar a criatividade, ao contrário, engessa, limita pelo previsível, gerando efeitos de dependência e codependência. Não sei se essas pessoas imaginam os transtornos que provocam no olhar de outras, confundindo-as, reforçando o seu egoísmo, enquanto o mundo busca nelas respostas livres e criativas aos seus desafios.
Nesse tempo de movimento dinâmico em que a única coisa que não muda é a própria mudança, a conduta humilde e um espírito aprendente, podem libertar os dominadores equipados para viver no mundo que não mais existe.
A complexidade adverte que o paradigma das certezas interrompe o diálogo com o mundo das incertezas. Isso nos convida a olhar para o presente inspirados pelas borboletas que nos fazem lembrar que na vida tudo se transforma sempre de dentro para fora. Que o conhecimento que temos, todo mundo pode ter, mas o que fazemos com ele no diálogo presente com o mundo, ninguém pode fazer, pois trata-se de uma habilidade pessoal despertada pelo imprevisível, em um sentido pessoal e intransferível, porém compartilhado no ato cooperativo e solidário de Ser-Vir.
“Quem fala, não faz. Quem faz, não fala.” Alimento a esperança de a qualquer hora, quando essas pessoas forem perguntadas sobre o seu passado, elas simplesmente respondam que estão no presente e não vivem mais lá. Nesse momento é bem possível que o mundo esteja progredindo com a sua criatividade e não mais limitado por suas condutas dominadoras e anticriativas. 

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  Espiritualidade no Trabalho
               

                                                      


“Colocar questões fundamentais e captar a profundidade do mundo, de si mesmo e de cada coisa constitui o que se chamou de espiritualidade. Ela deriva de espírito. Espírito não é uma parte do ser humano. É aquele momento de nossa consciência pessoal que nos permite sentirmo-nos parte e parcela de um Todo que nos ultrapassa por todos os lados: o universo das coisas, das energias, das pessoas, das produções histórico-sociais e culturais. Pelo espírito captamos o Todo, e no Todo encontramos Deus, o Grande Espírito.” (Leonardo Boff, 2006)



A Espiritualidade no trabalho compreende o alinhamento de autoconsciência e vínculo com o que se faz, isso é o contrário de alienação, estado inconsciente de trabalho em que o sujeito, reativamente, levado pelos condicionamentos socialmente influenciados não se reconhece naquilo que realiza.

A Espiritualidade no trabalho é uma qualidade do espírito que denota algo a mais do que o simples gostar do que se faz. Retrata o entusiasmo, o prazer, a alegria e o amor naquilo que produz criativamente no trabalho. Também não se trata de um prazer isolado de satisfação egóica, ao contrário, revela a paz profunda advinda da atitude de entrega da pessoa acerca daquilo que realiza junto com o outro para ser presença e luz criativa no exercício de melhor contribuir para gerar vida em abundância entre os semelhantes e seu meio social.

O trabalho é o espaço de darmos forma a algo, ou seja, de criarmos a expressão de nossa identidade, encarnando-nos num mundo livre e plural. Isso é real quando vivido com autoconsciência, amor e misericórdia, quando nos tornamos verdadeiramente útil ao mundo. Esse servir incondicionalmente a quem necessita beber de nossa fonte é uma forma concreta de expressão plena de nossa natureza.

Havendo repressão oriunda das estruturas sociais, inibindo a experiência de amor e liberdade, cabe-nos radicalizar a consciência acerca do que fazemos e reconhecermos na dor o seu contrário, onde bate forte o nosso coração, e assim, vivermos o principio criativo: “quem sabe faz a hora não espera acontecer”.

Fazer a hora é viver intensamente o presente, não pregando, condenando ou apontando acusadores – como é próprio das pessoas reativas e reprodutivistas do desejo de poder. Mas propondo, pensando junto, criando, avaliando e assumindo a dianteira da vida proativamente a serviço do bem, da vida saudável e pura de coração. 

Mude o mundo mudando sua forma de lidar com ele. Saia do discurso repetitivo e acusador e transforme-o em convite para pensar junto àqueles que lhe interessa. Seduza-os pelo respeito mútuo e seja transparente no seu entusiasmo amoroso ou por seu testemunho. Pergunte, transforme suas preciosas teses em perguntas e permita-se renová-las perenemente. Transforme-se num vir a ser, numa perspectiva criativa e saia desse isolamento mental glacial que lhe inibe a consciência das emoções subjacentes a uma realidade plena de mistérios, que lhe convida a exercer a vivência da criatividade.

Na simplicidade, na humildade e na afetividade encontramos o apoio para sermos verdadeiramente amorosos, entregues e gratos ao momento presente que nos convida a aprender a aprender permanentemente enquanto seres criadores. Não julgue ser melhor ou mais sabedor que alguém, incline-se a conhecer o significado do outro, mesmo que você o julgue um alienado, e antes de querer se tornar um porta-voz deste, por determinação de uma ideologia dominante – mesmo que supostamente justa - ouse ir além dessa aparência onipotente e encontre a pergunta qualitativa que lhe possibilitará reconhecer os mistérios que revelam as reais necessidades daqueles que você julga “alienado”.

Espiritualidade no trabalho é isso, vivência criativa, comprometida com a verdade que emana dos corações livres e autônomos, notadamente testemunhada por pessoas e grupos que se comunicam, e juntos dão forma ao mundo apoiados no respeito mútuo, no diálogo, na justiça e na solidariedade.

Encontre-se planamente preenchido (a) e guiado (a) pelo Espírito naquilo que faz, reconhecendo-se uma pessoa vinculada, comprometida e entusiástica. Encontre a sacralidade no que você vive e gere vida em abundância.



“Deus emerge cada vez que estremecemos em face do Sagrado de todas as coisas. A própria palavra Deus em sua origem sânscrita é significativa. Provém de “DI”, que significa brilhar e iluminar. Deus é uma experiência de luz, de descoberta daquela iluminação que espanta as trevas de nossa vida e nos mostra um caminho”. (Leonardo Bof f, 2006).



A Espiritualidade no trabalho significa um espírito vivo, intenso, pleno de verdade. É como o Elemento Fogo, tudo ou nada, não existe meio termo, nem muito menos um toma-lá-dá-cá. Qualquer forma de concessão tem como pano de fundo a manutenção de uma memória, de um desejo de conservação daquilo que se sabe e que está cristalizado como fonte absoluta de verdade.

A Espiritualidade no trabalho leva a pessoa e o grupo a ser fonte de verdade, experiência de luz e assim experimentarem aquilo que significa Deus. É viver o Espírito no espírito, assim sugere Leonardo Boff:



“Tenta sentir em ti as energias em ebulição, o desejo de vida e de comunicação, os impulsos para cima e para a frente e a capacidade de criar coisas novas.

Comporta-te não como um expectador ou um gestor dessa energia vital, mas como um celebrante. Através de tua própria vitalidade sente-te participante da Energia universal que te penetra.

Une-te ao Todo. Sente-te pedra, montanha, nuvem, mar, árvore, animal, pássaro, sol, estrela, e universo. Tu és um com todos eles.

Não temas! Tua singularidade não será destruída, ao contrário, será potencializada, porque te sentirás uma centelha de Fogo Universal que arde em ti e em todo o cosmo”.



A Espiritualidade no trabalho nada tem a ver com modismos ou receitas de sucesso, mas contrário a essas propagandas e receitas de falsas promessas tão comuns em nossos dias, cumpre com a ética e o compromisso com a vida.

Nesse caminho cada pessoa é autônoma, uma realidade tautológica socialmente enraizada em sua natureza biológica. Aqui não cabem atitudes de dependência, nem adoração mítica a nenhum “mestre”. Cada pessoa é responsável por aquilo que irá construir, sendo ela, apenas ela, o caminho, a verdade e a vida que se autopercebe quando prioriza cuidar do outro e do mundo sem expectativas, portanto, com liberdade e paz no coração.

O que mais importa para a conduta espiritual é que cada pessoa seja coerente com o sentimento de liberdade que vivencia quando se deixa ser plena no oferecimento de si ao outro, revelando o próprio DNA no modo como faz o que faz em sua metamorfose criativa. Ser todo em tudo que fazes em diferenciação e integração é a melhor definição de espiritualidade no trabalho.

A vivência do Ser-Vindo flui do desejo de vida plena e abundante para alguém ou para uma causa, neste caso não existem grades ou prisões externas que denotem dependências e atitudes reativas, mas a radicalização do amor incondicional revelado no vinculo que encarna o compromisso, a responsabilidade e as conseqüências, na certeza de que o amor não conhece impossíveis.